Dark Light

Hoje é dia do pai… aquele dia especifico em que nas redes sociais vê-se um pouco do “amor” partilhado por terceiros sobre o pai e a figura que ele tem.

Por vezes, debruço-me se na realidade o que é partilhado é mesmo autêntico. No meu caso, não sinto que deva partilhar nada.

Já fui de partilhar e escarrapachar as vivencias pela Internet. De mostrar que estava feliz pelas fotografias quando na realidade era tudo fachada. Mas não divagando, e falando apenas do dia que me levou a escrever algo: o dia do Pai.


Está claro que tenho muito amor por ele e também sei que não sou de longe ou de perto o filho que ele queria e isso dá para ver e ouvir nas entrelinhas.


Para este ano, eu e a minha irmã decidimos comprar-lhe um cabaz de dia do pai que trazia desde doces a salgados. Assim que cheguei à casa deles, o senhor Carlos abriu-me a porta e eu feliz dei-lhe um abraço desejando um «feliz dia do pai», sonante. Na troca de olhares, perguntou-me com frieza se a minha irmã vinha e lodo depois acrescentou «… deve não vir». Achei um pouco desapropriado e rapidamente retorqui em resposta que ela já estava a chegar, por isso a prenda teria de abrir na presença dos dois.

O reparo que faço, perante o colmatar do dia é o facto de ele conseguir ser mau nas palavras. Abriu a prenda, olhou para o que lá tinha, agradeceu e quando viu que lhe tínhamos oferecido um paté de veado, teve que fazer o apontamento da paneleiragem. Foi nessa altura que eu me propus a sair.

Acaba por ser uma sensação agridoce, uma que digo que gosto dele, e a outra que tenho a certeza que não sou o filho que ele gostava de ter tido, no entanto o oposto é digno pois eu tão pouco pedi por um pai assim.

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